A nova série da HBO, Westworld, é ambientada alguns anos no futuro, onde a tecnologia avançada permite criar cópias de seres humanos capazes de simular não somente a textura dos corpos, mas os gestos e expressões que temos. Eles são chamados anfitriões.

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Curiosamente, a ação em si parece mesmo se passar no passado, recriando uma cidadezinha do Velho Oeste americano, seus caubóis, saloons e foras da lei. E esta é apenas uma das camadas de um novelo complexo que nos fará refletir ao longo destes dez episódios, que compõem a primeira temporada – existe interesse revelado pelos criadores sobre fazer até cinco temporadas.

Na série, Westworld é um parque de diversões futurista, no qual as pessoas pagam caro para viverem suas mais diversas fantasias, interagindo com os robôs (anfitriões), cenários e animais criados especialmente para eles, em roteiros pré-definidos, sim, mas que permitem um nível de interação que os aproximam ainda mais da sensação de realidade.

A proposta de imersão sensorial permite conversar, beber, transar e até matar algum dos personagens, extrapolando o limite do real com a fantasia, levando o visitante a um nível de experiência extrema.

westworld-2Uma das regras fundamentais da programação é que nenhum anfitrião jamais possa machucar um ser vivo. Uma das provas de segurança que vemos se repetir na série é que eles ficam inertes até mesmo quando moscas pousam sobre seus olhos, sendo incapazes de desejarem matar ou afastar o inseto.

As coisas começam a sair do eixo, depois que uma nova atualização do código de programação dos robôs causa efeitos inesperados em um lote de, aproximadamente, 200 destes personagens, os quais começam a agir de forma imprevisível. Desde falhas cognitivas, motoras, falas truncadas, tics nervosos, até iniciativas fora do roteiro mais complexas e, por isto, perigosas, como matar outros personagens ou ameaçar os visitantes.

Para evitar que um acidente indesejado aconteça as pessoas que dirigem o parque começam a cogitar se o melhor não seria desativar todo o lote defeituoso, mas temem que a supressão de robôs-chave possam colocar em risco o roteiro pre-definido das diversas histórias paralelas que estão se desenrolando no parque.

A premissa não é exatamente nova. Muitos livros e filmes de ficção científica famosos já abordaram este tema, tais como Eu Robô, O Homem Bicentenário, Inteligência Artificial e, mais recentemente, a excelente série Humans do canal AMC. O argumento de Westworld, em si, vem da década de 70, do longa de mesmo nome que deu origem à produção, mas os roteiristas mostram que não importa se uma ideia é nova ou não, mas aquilo que se faz com ela. E, Westworld tem grande potencial dramático, de enredo e se mostrou capaz de prender os espectadores ávidos para descobrir o tamanho do caos que os desdobramentos da trama trará.

No primeiro episódio, vimos os bastidores do parque, onde equipes técnicas, de roteiro e de administração trabalham para garantir que o show funcione. Somos ainda, apresentados ao criador de tudo (Antohony Hopkins)e seu fascínio pela sua própria obra, a qual, ele mantém sempre renovada, com novas nuances, cada vez mais afinando seus robôs à realidade humana. É quase impossível distinguir quem é robô e quem visitante do parque. Ainda é cedo para saber se o cara é um gênio, um louco ou os dois.

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Também somos apresentados à Dolores, uma das anfitriãs, que revive o roteiro de seu dia-a-dia inúmeras vezes e que vive alheia à sua própria origem e finalidade.  Dolores é importante para o parque porque é a primeira anfitriã, que há mais de 30 anos vem servindo às fantasias dos visitantes, sem despertar deste sonho sem sonhos, como sua vida é descrita.

Dolores é doce, feliz e esperançosa, Tem em sua narrativa, uma história de amor por outro anfitrião e vive em um rancho afastado com sua mãe e seu pai, que, por sinal, é um dos robôs que apresentam o bug que o deixa auto-consciente e, portanto, um risco para o experimento.

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No aspecto mais sinistro da trama, conhecemos um anfitrião (Ed Harris) que visita o parque há 30 anos e está obcecado por acessar um nível mais profundo de experiência, que ele julga existir. Ainda não se pode afirmar quem ele é e o que realmente procura e, porque, com tanta tecnologia que permite monitorar tudo que acontece no parque, as suas ações sádicas ainda passam despercebidas.

De fato, as entrelinhas já denunciam que há alguns objetivos maiores e ainda ignorados nesta experiência toda. Agora, precisamos acompanhar para descobrir os mistérios por trás da fachada de parque de diversões.

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No geral, a estreia é caprichada, com uma fotografia impecável, a cenografia e efeitos especiais também são bons destaques para trama que, apesar de abusar do didatismo necessário para o começo de uma nova história, é televisão de primeira qualidade, como já é esperado da HBO.

Com este ingredientes, Westworld é uma boa opção para preencher a lacuna deixada por Game of Thrones, nas noites de domingo do canal.

Confira o trailer: