Segunda, 30/06, a série que narra a insólita vida de moradores de uma pequena cidade do interior americano que é misteriosamente coberta por uma cúpula, retornou às telas americanas e brasileiras.

E foi uma volta repleta de ingredientes típicos da obra de Stephen King: aparições misteriosas, mortes inesperadas, comunicações do além, surtos alucinógenos e muita, mas muita ficção cientifica. Talvez muito mais do que vimos em toda a primeira temporada, a qual obteve razoável aceitação da crítica, mas com muitas comparações desta adaptação da CBS com a obra homônima literária.

E o que pode ser mais irritante do que fãs que acreditam conhecer a obra de um autor melhor do que ele próprio? Stephen King é um dos produtores da série e co-roteirista, logo tudo que é mostrado é nada mais do que a concepção real do que ele imaginou quando escreveu o livro.

Muito se falou da falta de um clima mais tenso, de poucas explicações e muito lenga lenga. Na verdade, a obra precisou ganhar um ritmo mais folhetinesco com ganchos entre episódios, para adaptar-se à narrativa de tele série. Apesar disso, quem acompanhou, pôde conferir uma trama bem amarrada, com personagens convincentes e, cujo grande mistério – a própria cúpula – foi sendo desmistificado em doses homeopáticas. Aliás, não entendo tanta reclamação. Se tudo fosse revelado de cara não se chamaria série.

Na temporada inaugural, o foco era a apresentação dos personagens que conduziriam a trama, focando no misterioso ex-tenente Dale Barbara (Mike Vogel); Julia Shumway (Rachelle Lefreve), uma jornalista inconformada com o sumiço do marido; o inescrupuloso e obcecado vereador Big Jim Rennie (Dean Norris); seu filho, o perturbado James Junior (Alexander Koch), loucamente apaixonado pela garçonete Angie (Britt Robertson) e os adolescentes Joe (Colin Ford) e Norrie (Mackenzie Lintz), os últimos quatro, intimamente ligados à redoma.

Assim, acompanhamos uma narrativa linear, focada no comportamento dos moradores da cidade, surtando com a impossibilidade de se comunicar com o mundo exterior e as crises de abstinência com a falta de energia elétrica e o medo da escassez de comida e água, caso o período de cativeiro se estendesse. Aí, tem de tudo: os que creem no apocalipse, os que acham que se trata de uma experiência do governo ou atentado terrorista e os que apenas acham que vão morrer confinados naquela cidade até então, entediante.

O fato é que a redoma parece se comunicar com algumas pessoas da cidade, provocando alucinações e transmitindo mensagens. Joe, Norrie e Angie começaram a sofrer convulsões provocadas por interferência da cúpula, sempre seguidas da repetição sistemática do mantra “as estrelas cor-de-rosa estão caindo”.

Mas o que é a redoma?

Este é o mistério da série. Logo, pouco foi informado. Sabe-se que se estende por mais de 16 km de altura e, possivelmente, para baixo, já que não foi possível escapar por tuneis subterrâneos. É impenetrável, muda de cor, de acordo com seu “humor” – já foi transparente como um vidro, mudou para preto, depois completamente branca e retorna a invisível. Nem mesmo a força de uma bomba atômica foi capaz de fazê-la recuar um centímetro. Ela não impede a manifestação de fenômenos naturais como vento e chuva (algo criticado pelos nerds de plantão que esperam de uma fantasia tão surreal explicações lógicas).

Guiado por um raciocínio quase premonitório, Joe aposta que a redoma deve ter um gerador de energia dentro da própria cidade e cria um esquema matemático que permite encontrar o centro. Lá, encontra uma mini redoma com um ovo negro dentro, o que imediatamente deduz ser o centro da energia da cúpula. E algumas revelações são feitas a partir daí.

E a segunda temporada?

Somos apresentados a pelo menos três novos personagens: Sam, um ex-paramédico alcoólatra, que é tio de Junior; uma professora de ciências do secundário e uma garota misteriosa.

Não dá para não dizer que a série não teve uma boa retomada. Foi eletrizante, bons efeitos, reviravoltas intensas e ainda um gancho, que vai fazer todo fã querer ver o 2º episodio, pois deixa no ar que uma das personagens principais corre perigo de morte.

A segunda temporada de Under the Dome é exibida no Brasil pelo canal pago TNT.

Ah, a Rede Globo obteve os direitos de transmissão na tv aberta e iniciou a exibição diária dos 13 episódios da 1ª temporada nas madrugadas, em substituição ao Programa do Jô. A Globo batizou a série com o horrível título de Prisão Invisível.

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