Numa mistura de magia, mundo pós-apocalíptico, lendas e raças míticas, a MTV  apresentou sua produção mais ousada.

The Shannara Chronicles, baseada na saga literária de Terry Brooks, vinha prometendo ser um novo Game of Thrones, mas a atração tem elementos que a aproxima mais (guardadas as devidas proporções, claro) de Senhor dos Anéis, inclusive, na estrutura básica da narrativa, pois, em linhas gerais, vejamos: um grande mal contido há muito tempo ameaça novamente tomar o mundo. Uma profecia diz que apenas um escolhido pode impedir que isto aconteça, mas precisará enfrentar uma jornada repleta de perigos para sacramentar um objeto mágico, que derrotará os inimigos.

A série tem um atrativo curioso: a ação não se passa em um mundo paralelo, mas na própria Terra, em que milhares de anos no futuro, após ter sido dizimada por um holocausto nuclear, regrediu a uma era similar à medieval. Em uma espécie de evolução, a própria abertura da série leva a crer, que teria sido dos seres humanos, após mutações, que os elfos, anões, gnomos, duendes e trolls se originaram. Ainda não se sabe, no entanto, como a magia surgiu neste mundo, no qual ainda é possível encontrar ruínas de construções, veículos e outros vestígios da gloriosa civilização humana, agora, tomados pela ação do tempo.

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Os livros que dão origem à série seguem a história da família Shannara, que dão nome à produção. Trata-se de um clã élfico, que dominou a magia ancestral e todos os seus descendentes teriam esta mesma habilidade. No entanto, no ponto atual da narrativa só sobrou um deles, Wil Ohmsford (Austin Butler), um rapaz que aspira ser curandeiro em sua aldeia, mas que foi incapaz de salvar sua mãe no leito de morte. Ele ignora completamente o fato de que tem poderes mágicos. Sua mãe, pouco antes de morrer, lhe entregou três pedras azuis, que concentram o poder da sua linhagem e também revelou que seu pai, na verdade, fora um grande herói que usou o poder destas pedras para derrotar os inimigos e trazer paz para o mundo. O episódio ficou conhecido como A Guerra das Raças.

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Apesar do grande feito, como toda magia tem suas consequências, ele acabou morrendo bêbado e esquecido.  A princípio, Wil  acredita que o que este segredo não passa de lenda, até que é colocado a provar suas habilidades.

Costurando a trama central, existe a figura de Allanon (Manu Bennett), um humano druida, que também conhece as forças místicas e é capaz de interpretar as profecias contidas no Códice, um livro antigo que parece conter a história e os mistérios desta nova Terra. Ele é quem acaba convencendo Wil de que ele tem uma missão maior na vida, ainda que ele próprio, em algum momento, chega a duvidar se o rapaz seria capaz de tal feito.

Os roteiristas começam esta história mostrando como a princesa dos elfos, Amberle (Poppy Drayton) desafia as tradições e acaba vencendo uma prova que define a nova geração dos seis jovens escolhidos para cuidar e proteger Ellcrys, uma árvore mítica que é o símbolo da paz para os quatro reinos. Amberle ganha o desafio, aparentemente mais para mostrar para seu avô, o rei Eventine (John Rhys Davies) que herdou a bravura de seu pai, já falecido e também acaba por surpreender a todos, uma vez que nunca uma garota antes participou do desafio. Amberle, inicialmente, nem acreditava nas lendas que envolviam a árvore, mas no momento que a toca, cria uma conexão imediata com ela e é capaz de ter visões sobre eventos futuros, que mostram a destruição do mundo.

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Doente, Ellcrys começa a morrer e, conforme a lenda, a cada folha que cai, um demônio é solto no mundo, liberto de um limbo chamado Proibição, ao qual foram submetidas na Guerra. A partir daí os eventos vão juntar Amberle e Wil na jornada para salvar a árvore e confinar novamente os demônios em seu exílio eterno.

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Notadamente, há um tensão romântica entre os dois elfos, mas em paralelo, acabam conhecendo Eletria (Ivana Barquero), uma humana, descendente dos Nômades, uma raça de humanos que são execrados pelos elfos por terem fama de ladrões pouco confiáveis. O triângulo amoroso teen está formado, afinal é uma série da MTV.

É notável o investimento feito pela MTV na produção. Há um escorregão ou outro ali, mas no geral, os efeitos visuais são bastante aceitáveis. A reconstrução do mundo em que a história se passa é coerente e a fotografia, recorrendo a vastas paisagens com suas cores vibrantes, belas cenas no mar e a ambientação dos cenários interiores também estão relativamente corretos.

Curiosamente é no trio de protagonistas que mora o perigo. As atuações não são exatamente primorosas, mas se você fizer uma força e não for tão chatinho, isso passa batido. Desde que, espera-se, os roteiristas não transformem a série em mais uma trama épica teen cheia de troca de casais e ciuminhos fúteis. Bom, eu sei que isso vai ser quase impossível, mas oremos.
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Por fim, a MTV inicia a sua jornada pelo mundo da fantasia com um produto bem atraente e que vai de encontro aos anseios dos espectadores de hoje, órfãos da magia de Harry Potter e saudosos da saga dos Hobbits do condado e pode muito bem ser uma opção interessante para este período em que já estamos esperando o inverno,  que está mais uma vez está chegando em Westeros.

NOTA 8

Confira o trailer:

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