Sem muito alarde, a Netflix disponibilizou em seu catálogo mais uma série original: The OA, um drama sobrenatural complexo e cheio de elementos capazes de prender o espectador e converter-se numa forte candidata a última maratona do ano. Afinal, dificilmente quem resolver assistir aos primeiros episódios vai conseguir desgrudar da telinha até ver o desfecho.

Contada em oito episódios, a série narra a história de Prairie, uma deficiente visual desaparecida há 7 anos e que de repente volta à cidade natal com uma história misteriosa, intensa e difícil de acreditar, começando pelo fato de que ao retornar, não está mais cega.

No desenrolar da trama, acabamos descobrindo que Prairie, que é adotada, fugiu de casa a fim de reencontrar seu verdadeiro pai. Decidida a esperar por ele, passa a tocar em seu violino uma música de sua infância no metrô de Nova York, esperando que um dia ele ouça e a encontre, o que acaba não acontecendo. A habilidade musical de Praire chama a atenção do Dr. Hunter Hap, um cientista que dedicou sua vida a estudar as experiências de quase morte, termo dado para os casos de pacientes que acabam sendo considerados mortos, mas voltam misteriosamente à vida, geralmente, com relatos do que seria o outro lado e, quase sempre, despertando habilidades como tocar instrumentos com perfeição ou falar outro idioma.

Charmoso e bom de lábia, o cientista convence Prairie a ajudá-lo, já que ela mesma acredita ter passado por este tipo de experiência na infância, quando a van que a levava para escola, sofre uma atendado e afunda em um rio. A garota, inicialmente dada como morta, é a única sobrevivente do acidente.

O que parecia uma luz no fim do túnel, acaba se revelando um pesadelo: Hap realmente realiza tais estudos, mas não usa de métodos convencionais e a sequestra, trancando-a em um cativeiro em uma região muito remota, assim como já faz com outros três indivíduos: Homer, Scott e Renata, todos sobreviventes de situações de quase morte.

Após tantos anos presa e depois de uma infância atormentada por sonhos misteriosos, a sanidade de Prairie é colocada em cheque e ela passa a ser acompanhada de perto pela família e especialistas.

Você mesmo em vários momentos da série irá se perguntar se trata-se de realidade ou delírio.

Em busca de espaço, ela acaba conhecendo um grupo de jovens estudantes da região a quem resolve contar toda a verdade sobre seu desaparecimento, inclusive, sobre as diversas vezes em que teria conhecido uma outra dimensão, ao ser submetida a morte e ressurreições forçadas pelas estranhas técnicas do Dr. Hap e pede ajuda a eles para que possam completar um ritual que poderá levá-la de volta para outra dimensão, onde encontraria com seus colegas de cativeiro e, em especial a Homer, por quem se apaixonou.

A trama inteira é um flerte entre verdade e delírio, doença mental e esoterismo, elementos presentes na história relatada pela protagonista. Teria Prairie vivido tudo o que realmente conta, inclusive, sobre a existência de um outro lado pós-vida? Hap e Homer existem de verdade ou seria apenas fantasia da cabeça de uma jovem perturbada mentalmente? Os novos amigos realmente teriam o poder de ajudá-la a atravessar para outra dimensão?

E esta dúvida vai perseguir o espectador por toda a temporada, mesmo depois de ver a conclusão, que, diga-se de passagem, deixará um gostinho de quero mais.

The OA tem Brit Marling e Zal Batmangli como responsáveis e é protagonizada, entre outros por Brit Marling, Jason Isaacs, Scott Wilson, Alice Krige e Emory Cohen.

Confira o trailer: