Um reality show com pessoas de caráter dúbio e com pendências com a justiça, isolados em uma penitenciária de segurança máxima, no isolamento da floresta amazônica e toda a estrutura da Globo para transmitir um formato que até hoje é rainha absoluta, por si só já é algo grande. Perder o controle do projeto e fazer com que os participantes não consigam distinguir o que é jogo, encenação ou realidade dá mesmo vontade de querer saber onde isto vai parar. Acrescentar a isto fenômenos inexplicáveis, pressão e nervos à flor da pela, só melhora a receita.

É com este ingredientes que Supermax, a nova série das noites de terça da Globo chega ao ar.

Vale apena lembrar que reality shows que ficam sem controle não são exatamente uma ideia original. A NBC exibiu recentemente a série Siberia, cancelada com apenas uma temporada, que tinha a mesma premissa, exceto a da prisão. Nela, os participantes foram levados para a remota região da Sibéria no extremo norte do planeta, o apresentador também desaparece, os conflitos afloram, violência e terror surgem e existe uma tensão sobrenatural, até relativamente criativa, que é revelada no final da temporada.

Copiando integralmente a dinâmica do Big Brother, incluindo expressões como prova do líder, paredão e confessionário, a nova série da Globo, se utiliza de Pedro Bial convincente no papel dele mesmo, já que está marcado pelo programa original, para dar um toque de verossimilhança. O problema é que talvez este expediente tenha deixado tudo com um ar de artificialidade que comprometeu bastante a apresentação dos personagens, pelo menos no primeiro episódio.

As falas ensaiadinhas das conversas entre o apresentador e os confinados, enterraram de vez qualquer tentativa de parecer reality e o que poderia ser o melhor do show, as alucinações (ou aparições) muito prometidas nas chamadas, foram tão poucas que acabaram deixando a desejar.

E os participantes também não ajudaram. Comportamentos rasos para personagens vendidos como densos, brigas sem propósito, diálogos fracos e mega-estereotipados. A personagem forte e super competitiva, o agressivo, o meninão com suas brincadeiras sem graça, a santinha do pau-oco foram alguns dos tipos apresentados. Nada muito diferente do que se vê no programa original de todo começo de ano da Globo.

Bate até aquele medo de aparecer a Ana Furtado fazendo merchan de alguma coisa.

E a série não foge da narrativa dramática muito adotada pela emissora: mocinhos e vilões definidos. Pela apresentação no primeiro episódio já fica claro que os holofotes estão sobre os personagens de Cleo Pires, Eron Cordeiro e Maria Ximenes, não de graça, os três atores mais conhecidos do elenco.

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Mesmo com muitas oportunidades, quem já viu os 11 primeiros episódios, liberados para assinantes na plataforma streaming da Globo, tem dito que a trama não varia muito em relação ao que se vê no começo, mas a série promete um mínimo de decência nos efeitos visuais e convida a todos a acompanhar porque o 10o episódio – que os reles mortais ainda vão esperar uns 3 meses para ver – é o grande episódio até agora. Mas também, convenhamos, é o penúltimo, precisa ter clímax.

E, ao menos, mantenhamos a fé, pois todas as bizarrices que veremos nos próximos episódios terão um motivo de ser. A série promete explicá-las!

Ignorando todos os “senões”, mais uma vez, ponto para a Globo, o último oásis de inovação na TV aberta do Brasil. Que estes sejam apenas os primeiros passos no amadurecimento da nossa dramaturgia nos temas de suspense, terror e ficção científica.

Confira o trailer: