Com estreia mundial pela Netflix em 26 de setembro, Star Trek: Discovery fez,  sem dúvida, uma bela estreia que, ao mesmo tempo em que manteve a vibe conhecida da saga em seu cinquentenário, renovou-se abusando de linguagem dinâmica e um show de imagens.

A apresentação da trama produzida pela CBS em seus dois capítulos de estreia, também representou um belo acerto dos roteiristas. Mostra de forma consistente o elo de amizade entre a capitã Georgiou (Michelle Yeoh) da nave U.S.S. Shenzhou e sua oficial-imediata, Michael Burnham (Sonequa Martin-Green), relação esta pautada por admiração e profissionalismo.

A essência de Star Trek também está viva logo nas primeiras sequencias, quando ambas visitam um planeta primitivo e intercedem por uma raça agonizante devido a uma terrível seca que vem assolando o seu mundo. As oficiais perfuram um poço artesiano, trazendo água em abundância de volta para aquela superfície seca. Honrando uma das filosofias das missões da frota estelar, auxiliam sem interagir, evitando contaminar ou mudar o destino daquela civilização.

De volta a nave, a tripulação fixa é apresentada. Destaque para Doug Jones, que vive o Lieutenant Saru, que vem de uma raça cética e pautada em precisão de dados e que, divertidamente rivaliza com a imediata. Agora, estão em mais uma missão importante: entender porque um satélite de comunicação da frota estelar perdeu o sinal. Quando identificam danos no artefato, logo Michael deduz que não deve ter sido eventual, uma vez que se sabe o quanto o império é zeloso com seus equipamentos, inclusive os mais remotos e seria atraída para uma ardilosa armadilha nos confins do universo conhecido.

No horizonte de um belo sistema binário, um objeto não identificado chama atenção da tripulação e é Michael que decide lançar-se rumo ao desconhecido para entender de que se trata. De fato, uma belíssima estrutura que parece esculpida a mão e, em suas palavras “sublime”, se revela uma armadilha Klingon, os mais lendários arqui-inimigos da frota estelar.

Naquela altura, os Klingons estão oprimidos e descentralizados, mas enxergam na situação, a chance de se reorganizar como uma só força para fazer frente a liga de raças irmãs representada pela frota estelar, a quem julgam apenas como responsáveis por tentar apagar os traços de personalidade de seu povo.

STAR TREK: DISCOVERY coming to CBS All Access. Photo Cr: Jan Thijs © 2017 CBS Interactive. All Rights Reserved.

E na estreia tem elementos Vulcano, tem naves em dobra-estelar, tem a filosofia bélica típica dos Klingons, simbologias que mostram a visão conflituosa entre ser uma frota estelar que está realmente em paz ou um império liderado por seres humanos que estende seus tentáculos para todos os cantos do universo.

A partir deste primeiro gigantesco conflito a trama se desenrola, mostrando acertos na escalação do cast, em especial à Sonequa Martin-Green, recém-saída de uma angustiante personagem em The Walking Dead, uma direção brilhante e um trabalho final de encher os olhos.

Confira o trailer: