Enquanto na vida real, 2015 não foi exatamente um ano divertido com os escândalos políticos e a crise econômica, as séries de TV nos proporcionaram bons momentos para extravasar.

Na primeira parte da Retrospectiva 2015  do SeriExpert, as 10 melhores comédias do ano:

01 – Umbreakable Kimmy Schmidt

A NBC esnobou e a Netflix deu vida a esta comédia da consagrada Tina Fey (Saturday Night Live, 30rd Rock). Uma caipira de 15 anos que cai no conto do líder de uma seita apocalíptica – vivido por Jon Hamm – que propaga o fim do mundo através de uma guerra nuclear. Curiosamente, ele só recruta mulheres para a salvação. As donzelas crentes são convidadas a viver para sempre em um bunker durante um apocalipse nuclear. Apesar da prerrogativa dramática, a série tira um sarro da situação e  por si só já poderia render passagens bem engraçadas, mas o melhor acontece quando ela finalmente consegue se libertar do esconderijo e, aos 30 anos, descobre que o mundo não acabou. Perdida no tempo e tendo que aprender a viver em uma mundo com coisas que simplesmente não sabe que foram inventadas como a internet e o smartphone e submetida a experiências que todo mundo já viveu na adolescência. Além da acertada atuação de Ellie Kemper como a protagonista Kimmy, a série deve ter o melhor conjunto de personagens coadjuvantes únicos (o imigrante ilegal vietnamita, o aspirante a ator gay e negro, a índia americana que pinta os cabelos de loiro e tem vergonha do passado, ao se tornar uma socialite de Nova York). Todos únicos, hilários e divertidos.

02 – Master of None

Apesar de alguns momentos realmente engraçados, está longe de ser uma comédia de rolar de rir. Master of None meio que compila algumas esquetes utilizadas largamente por seu protagonista Aziz Ansari, em seus shows de stand-up, alguns deles, disponíveis na própria Netflix. E talvez aí acerta. A série é sobre o cotidiano de um homem solteiro na casa dos trinta anos e todas as situações, que aparentemente, todos fatalmente acabam passando: desde a exaustiva tentativa de se dar bem na carreira ou no xaveco do bar, até as reflexões mais substanciais como o quanto devemos ser gratos aos nossos pais e avós e se vale a pena por filhos neste mundo louco. A série conta com o carisma de seu protagonista, que parece mesmo ser um cara legal e é capaz de gerar forte identificação com quem vê o seriado.

03 – South Park

A 19ª temporada de South Park no Comedy Central está provando que não só os redondos e boca-sujas habitantes da cidadezinha eternamente nevada do Colorado não esgotaram seu estoque de humor ácido, como também está mais atual e antenada que nunca. Na leva de episódios deste ano, os roteiristas trataram de tantos temas relevantes e sérios, sem perder o deboche característico da série. Neste ano, uma crítica inteligentíssima sobre as pessoas politicamente corretas, que estão tirando toda a graça do mundo e ainda uma reflexão sobre a enxurrada de anúncios (disfarçados ou não) que tomou conta da web estão na pauta, que ainda conta com uma sátira dos programas de revitalização dos bairros antigos e periféricos das grandes cidades, tornando-os mecas de consumo e que, por vezes, acabam expulsando os moradores originais, que não se adequam ao novo padrão. Claro que também não poderia faltar a zoação sobre a corrida presidencial americana, com o desejo de construir um muro para impedir que os “malditos” imigrantes tomem conta do país e, para isso, a solução é fechar a fronteira com o… Canadá (rsrs).

04 – Crazy Ex-Girlfriend

A julgar pelas avaliações, você provavelmente não estão assistindo Crazy Ex-Girlfriend, nem seus amigos, familiares, colegas de trabalho, etc. Mas esta comédia da CW, que parecia mais uma daquelas séries bobas que pipocam a cada temporada e que são canceladas mais rapidamente do que estreiam, surpreendeu. Rebecca Bunch vive uma protagonista que é tão sofrível, que não temos sequer certeza de que nós gostamos. Com tiradas rápidas e inteligentes, a série exige atenção especificamente com seus números de canto e dança insanas sobre essa mulher obcecada em reconquistar o amor de sua vida.

05 – Catastrophe

Quando uma transa casual resulta em gravidez, não há espaço para “felizes para sempre”. É em cima deste tema que a comédia ácida da Amazon se situa. A atriz irlandesa Sharon Horgan e o comediante americano Rob Delaney se juntam em situações hilárias, que fazem valer a pena os seis episódios de meia hora desta primeira temporada.

06 – Transparent

A segunda temporada mal estreou, mas é impossível não relacionar a premiada comédia da Amazon, um dos maiores sucessos de 2014, também entre as melhores deste ano.  Vencedora do Emmy 2015 nas categorias de Melhor Ator em Comédia, Melhor Direção para uma Comédia, Melhor Ator Convidado em uma Comédia, entre outros prêmios técnicos, foi com o desempenho impensado e fascinante de Jeffrey Tambor como a transexual Maura que, inicialmente, acaba nos viciando na série mais bem sucedida da Amazon, mas é a profundidade do seu conjunto que a torna tão brilhante. A série mantém drama e comédia em alto nível e é única em sua capacidade de se manter interessante (e engraçada) mesmo com um tema desconhecido e ainda tabu na TV e na sociedade em geral.

07 – The Last Man on Earth

Will Forte conseguiu emplacar uma segunda temporada no FX para seu hilário personagem, que um dia achou que era o último homem da Terra e fez coisas malucas como encher uma piscina com bebida, invadir a mansão de um astro de cinema e casar com uma mocreia, achando que se tratava da última mulher da Terra. A comédia foi indicada para 4 Emmy´s e manteve todo o frescor com seu texto simples, engraçado e as caras e bocas de seus protagonistas.

08 – Scream Queens

Ou você ama ou você odeia. Não há meio termo para a comédia de horror de Ryan Murphy para a FOX. Apesar (ou mesmo com) as atuações histéricas do elenco encabeçado por Emma Riberts, Lea Michelle e Jamie Lee Curtis, é inegável a agilidade e acidez dos diálogos da série, que conseguem juntar em um mix de loucura, críticas sobre a sociedade de consumo, os nichos formados pelos adolescentes e jovens nas escolas e faculdades dos Estados Unidos, a internet e, claro, os filmes de serial-killer. Em um campus de uma universidade em que, aparentemente, não há aulas, alguém resolve sair matando membros de uma fraternidade cheia de patricinhas mimadas.

09 – Gracie & Frankie

Alguns dos criadores de Friends idealizaram esta série também da Netflix. Com a interessante proposta de tratar com graça a possibilidade de recomeçar a vida na terceira idade, Gracie & Frankie traz atores renomados em uma série que sabe dosar bem drama e comédia, o moderno e o clássico. A toda conservadora Grace (Jane Fonda) e a boêmia pós-hippie Frankie (Lily Tomlin) nem são tão amigas assim e  já comemoravam décadas de seus casamentos aparentemente sólidos. Completamente encrustadas nas suas rotinas diárias, vivem da certeza de que conhecem seus maridos como a palma da mão até que são surpreendidas pela revelação de que eles  – Robert (Martin Sheen) e Sol (Sam Waterston ) – na verdade mantém um caso amoroso de anos e que agora decidem assumir que são gays e desejam viver esta relação de papel passado e tudo mais. Depois de perderem o chão,  as duas passam por todas as fases da separação, desde a fossa total, a divisão dos bens, a busca de uma ocupação profissional a esta altura da vida e até a busca por novas aventuras. A série é engraçada e encantadora e nos permite olhar e refletir sobre esta fase da vida.

10 – Black-Ish

A renovação pela ABC dessa comédia de costumes sobre uma família negra americana foi acertada e ela voltou ainda mais afiada. Temas cotidianos como a freqüência à igreja, armas em casa, preconceitos raciais entre outros são um prato cheio para a família de Dre e Bo Johnson (Anthony Anderson e Tracee Ellis Ross excepcionalmente divertidos nos papéis). Como Vovó Ruby poderia dizer, devemos agradecer ao “Black Jesus!” pela volta de Black-Ish para mais temporadas.

E você? Concorda? Quais são as suas comédias preferidas de 2015?

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