Quem nunca teve a sensação de estar sendo observado? Mesmo sozinho, dentro de casa, às vezes um ruído inesperado, um vulto, uma sombra, tudo isso é capaz de desencadear inúmeras reações, das mais desconfiadas até a paranoia generalizada.

Em horas assim, até os mais céticos rezam. O perigo é se não é Deus quem ouve as suas preces.

O sentimento é de tensão do primeiro minuto ao final. Dificilmente você terá uma reação diferente ao ver a nova versão do clássico O Bebê de Rosemary, produzido pela NBC e agora com nova roupagem, mas com a mesma vocação para o terror psicológico.

A trama é centrada no relacionamento do jovem casal Rosemary (Zoe Saldanha) e Guy (Patrick J. Adams). Logo no início ficamos sabendo que esse relacionamento anda um pouco abalado desde que Rosemary descobre ter perdido um bebê tão desejado, ainda no ventre. O diagnóstico do médico: o coração era fraco e parou de bater. Isso é devastador para Rosemary e este estado melancólico preocupa Guy.

Para ajudar os amigos, Julie (Christina Cole) oferece a Guy um emprego de professor em uma das mais conceituadas universidades de Paris. Numa tentativa de salvar o casamento e ter a chance de um recomeço, Guy, que na verdade é aspirante a escritor, acaba aceitando e convencendo Rosemary a acompanha-lo. Seria uma segunda lua de mel, dessa vez remunerada e o trabalho de meio período poderia propiciar a Guy a chance de escrever um livro que o tirasse do anonimato. Em último caso, conhecer a cidade luz nunca seria desagradável.

bebe[1]Ao chegar a Paris, Rosemary é assaltada, mas consegue recuperar sua bolsa e, junto com ela, uma carteira de outra pessoa, possivelmente roubada. Através dos documentos, Rosemary decide localizar a dona para devolver a carteira.

A seguir, uma sucessão de coincidências (ou não) leva Rosemary a conhecer a rica e misteriosa Victoria Plasir (Rosemarie La Vaullée) e o envolvimento de Victoria e seu galante marido Roman Castevet (Jason Isaacs) com o casal de protagonistas é o mote central da trama.

Participantes de uma seita macabra, Victoria e Roman passam a ter uma única certeza: Rosemary é a mulher ideal para gerar o filho do diabo.

Com atuações excepcionais, clima de suspense e abusando de insinuações mais do que propriamente imagens e efeitos especiais, a minissérie acerta no tom e é capaz de prender você até o fim.

São apenas dois capítulos com pouco mais de 1h de duração cada. Talvez more aí o único ponto fraco da produção. No afã de concluir a trama em apenas dois episódios, deixa de explorar algumas situações que poderiam render grandes momentos.

Ainda assim, aos amantes do gênero é uma boa opção.

Para quem viu o filme de Roman Polanski (1976) e se arrepiou dos pés a cabeça, encontra uma trama mais sóbria e moderna, mas, também como disse, muito mais baseada em insinuações do que nas vias de fato.

Para quem leu o livro de Ira Levin, publicado em 1967, vai sentir que a NBC conseguiu trazer um pouco do clima paranoico para esta adaptação.

Trailer:

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