A Netflix disponibilizou no dia 06 de novembro, os 10 episódios da primeira temporada de Master of None, estrelada por Aziz Ansari (Parks and Recreation), comediante, que também tem stand-ups disponibilizados no portal.

Depois do grande acerto com Unbreakable Kimmy, não tinha como deixar de conferir mais uma comédia de episódios curtos na Netflix. Mas, Master of None, talvez esteja muito mais próximo de Grace and Frankie, também da Netflix, que não busca um humor tão escrachado, mas contar dramas do cotidiano por uma lente mais leve.

Assim, a série pretende fazer graça com pequenos detalhes, inseguranças e questionamentos da vida cotidiana de Dev, um cara solteiro aos 30 anos e que tenta emplacar uma carreira como ator, após ficar conhecido por alguns comerciais. E acerta em muitos momentos.

Tem de tudo: cantadas de bar, rodinhas de amigos falando sobre filmes e série, sexo, carreira, humor negro sobre minorias e etnias. Dev é um descendente de indianos, amigo de um homem excessivamente alto, uma lésbica e um descendente de chineses. Enfim, é um grande pacote.

Azis é um cara muito simpático e suas caras e bocas tornam seu Dev também muito simpático. Ele não é exatamente um nerd, nem mesmo totalmente um loser. Ao contrário, tem um “ap” legal, tem uma carreira (em curso), conquista garotas (e relativamente transa bastante), é carinhoso com crianças, apesar de não pretender tê-las. É realmente fácil gostar dele porque ele parece um cara normal, e, talvez por isso, ele não seja o cara mais engraçado do mundo. O que faz a série funcionar é que ela atira para todos os lados, em busca da empatia das pessoas, usando tantos clichês, quantos estiverem à mão e, se às vezes, é apenas ZZzzzz, muitas vezes, consegue ser genial

Apesar de a série não ser daquelas comédias de matar de rir, há passagens que refletem humor inteligente e que funcionam muito bem como esquetes, por exemplo, uma das cenas que funcionaria como uma esquete separada é aquela em que Arnold  (Eric Wareheim), amigo de Dev, sai com sua namorada para comprar um sofá. Ele se oferece porque diz que é um excelente negociador, mas quase estraga tudo, quando se apaixona perdidamente pelo sofá e começa a tecer muitos elogios, que podem aumentar o preço em vez de pechinchar. É hilário e não tem como não gostar daqueles 3 minutos.

A trama também é enriquecida com alguns momentos cativantes e ternos, como quando Dev e seu amigo Brian (Kelvin Yu), percebem que não sabem quase nada sobre a história de seus pais, imigrantes, respectivamente indiano e chinês, que batalharam pelo sonho americano e, que, de certa forma, preparam o caminho para que a geração deles, a primeira realmente nascida nos Estados Unidos, possa aproveitar tudo o que a América pode oferecer. A série resolve mostrar um pequeno resumo sobre a vida pregressa os pais e acerta em cheio. É uma bonita lição.

Outro bonito momento da série, é quando Dev retira a avó de sua namorada do asilo e a leva para uma divertida e nostálgica noite fora do confinamento. A atriz Lynn Cohen está impagável e o clima nostálgico que preenche o episódio, quase faz esquecer que estamos em uma série de comédia e nos faz refletir como tratamos os nossos idosos.

Talvez, o pior momento da série, pelo menos o mais massante, é quando ela passa a dedicar episódios inteiros ao relacionamento de Dev com Rachel (Noel Wells), que parece fofo no começo, mas que beira ao irritante, quando toma conta de todo o assunto. Você começa a sentir falta de Arnold, Denise e Brian, os divertidos amigos de Dev e todas as divertidas passagens dos testes para os filmes e comerciais que o cara faz.

Mas, há que se entender que não foge da proposta da série. Nesta idade, depois de rodar, rodar e não encontrar a pessoa certa, o cara parece acertar-se, decide morar junto, sem a total certeza de que o amor entre eles é suficiente. E nesta hora, parece aquele nosso amigo que quando arruma uma namorada ou se casa, some das rodinhas de bar. Bom, talvez, a gente seja aquele amigo que some por causa do namoro, né?

No fim, Master of None é sim, uma série humor sutil. Tão sutil que não vai prender o grande público. E, respondendo ao título do artigo, se Master of None não fizer você rir, pode ser que faça você pensar sobre um bocado de coisa.

Confira o trailer:

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