Uma noite fria e úmida e logo vemos os arranha-céus da grande cidade de Gotham, construída de forma sombria sobre as paisagens de Nova York, assolada por uma irracional onda de criminalidade. À primeira vista, os tons escuros da fotografia e a arquitetura gótica, com direito a gárgulas sobre os telhados, fazem lembrar a tétrica versão de Tim Burton.

Adiante, a clássica cena do beco, em que Bruce Wayne (David Mazouz) e seus pais, após saírem de uma sessão de cinema em família, são surpreendidos por um homem que anuncia o assalto – primeiro a carteira, depois o colar de pérolas da mãe do jovem Batman, que tal qual em tantas outras versões se rompe até que cada conta cai no chão. O bandido se irrita e, sem muita explicação, atira à queima-roupa no casal, deixando o filho perplexo. O órfão Bruce vivera aquele que seria o maior trauma de sua vida.

Tudo seria bem previsível, não fosse pela possibilidade de expansão da trama que um seriado de longa duração permite. Na mesma cena, uma mulher-gato (Camren Bicondova) ainda jovem, assiste a tudo.

Ninguém menos que o agora novato detetive James Gordon (Ben McKenzie) é o policial que está escalado para investigar o caso. No futuro, sabemos que ele virá a ser o Comissário Gordon, aquele que liga para o Batman através do telefone vermelho da série dos anos 60 e que aciona o bat sinalnos quadrinhos.

Obviamente, o fiel mordomo Alfred (Sean Pertwee) também aparece e conduz o jovem para a sua vida melancólica que sabemos nutrirá os desejos de vingança do nosso herói.

Claro que Gotham é sobre Batman, mas é também sobre tudo que representa a cidade mais corrupta e obscura dos quadrinhos. O piloto foca especificamente na figura do jovem Jim Gordon e seu parceiro Bullock (Donal Logue), no que seria seu primeiro grande caso policial a desvendar. O assassinato dos ricaços Wayne. O episódio mostra um contraponto interessante entre o jovem o honesto aspirante a Comissário e seu violento parceiro, aparentemente afundado até o pescoço na sujeira que assola a cidade.

Em busca de pistas, os dois policiais vão até uma espécie de bordel, cuja matriarca, Fish (Jada P. Smith) aparece espancando um funcionário que supostamente estaria roubando seu dinheiro. Aí, temos a primeira grande cena do episódio, quando o jovem Oswald (Robin Lord Taylor), ou como será conhecido futuramente, “O Pinguim”, passa a se divertir sadicamente ao espancar o ladrão. De cara, o ator já mostra que deve roubar a cena, compondo uma figura estranha, transtornada e obviamente obcecada com a violência.

Até esta etapa do episodio, não tinha ideia sobre qual época estava sendo retratada. Parecia algo meio anos 50 pelo estilo das pessoas, dos carros e da arquitetura, mas eis que o celular de Jim Gordon toca com uma pista que o levaria ao culpado! Isso mesmo, estamos na atualidade. Ou pelo menos, numa realidade distópica, em que acompanhamos o passado dos famosos personagens, porém ambientado nos tempos atuais.

Misturando traições, brigas pelo poder entre diversas gangs mafiosas e presenteando os fãs deste universo com muitos personagens icônicos, Gotham apresenta um tom policialesco que deve imperar na série, cujo início é interessante o suficiente para segurar os espectadores pelos próximos episódios, mesmo com estreia de 3,2 milhões de expectadores na faixa de 18-49 anos nos Estados Unidos, que a fez perder para The Big Bang Theory da CBS com 5,3 milhões e The Voice, da NBC com 4 milhões, o que não agradou 100% a Fox.

No Brasil, Gotham, que já foi adquirida para exibição no Netflix a partir do ano que vem, estreará na Warner em 29 de Setembro de 2014.

Trailer:

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