Os momentos atuais são um misto de sentimentos contraditórios para qualquer fã da saga Game of Thrones, exibida pela HBO e baseada na obra literária de George R. R. Martin.

Sabemos que estamos nos aproximando do final: ao mesmo tempo em que a série se vê cada vez mais turbinada por acontecimentos chaves, alguns inesperados outros muito aguardados, está claro que faltam menos de um dezena de episódios para que uma das mais brilhantes séries já produzidas na televisão encerre a história que se propôs a contar.

Com apenas sete episódios nesta temporada e seis na derradeira a ser exibida em 2018 os contornos de um grande clímax já estão sendo revelados e, aquelas cenas contemplativas devem ser cada vez mais raras.

A exibição do episódio “A Justiça da Rainha”, no domingo 30 de julho foi prova disto. A sequencia de cenas de alta relevância para a trama foram de tirar o fôlego.

A partir daqui, há spoilers para quem não viu ou não deseja saber o que pode acontecer de agora em diante.

Começamos pelo encontro de Gelo e Fogo tão aguardado. Tia e sobrinho, ainda que ambos ignorem a situação, finalmente estão frente a frente: O rei do Norte, Jon Snow e Daenerys Targaryen, a mãe dos dragões. Jon em busca de um meio para combater os terrores que o longo inverno trarão na forma dos caminhantes brancos que se aproximam de Westeros e Dany apenas querendo afirmar seu auto-proclamado direito de assunção ao trono de ferro travam um duelo solene que invocam a história mais recente do Jogo dos Tronos, promessas e trajetórias. Durante mais ou menos dez minutos, ambos relutaram em reconhecer o título de cada um.

Daenerys definitivamente não acredita ou não tem tempo para acreditar na ameaça dos zumbis de gelo, que Jon insiste em defender que é um problema muito maior do que a rival Cersei. Apenas depois de receber a notícia de que justamente a malévola rainha emplacou importantes vitórias contra seus aliados e, em uma única tacada, destrói a frota de navios de Yara e Theon Greojoy, tem sua parceira em Dorne, Ellaria Sand capturada pelo sádico Euron e Ollena, a última Tyrell rendida pelas tropas Lannister, a mãe dos dragões decide racionalizar os conselhos de sua “Mão”, Tyrion e focar em semear laços com Jon e os nortenhos, autorizando a mineração de obsidiana, o mineral abundante em Dragonstone, conhecido como vidro de dragão, comprovadamente eficaz para ferir os walkers.

Em Porto Real, Cersei saboreia mais uma vitória e em uma cena muito tensa tem a chance de se vingar da mulher que matou sua única filha Myrcella envenenada com um beijo. Igualmente, usa o mesmo artifício, mas com seu toque cruel, beijando Tyene, filha de Ellaria e mantendo a mãe presa e amordaçada para acompanhar dia e noite a filha definhar sob efeito da substância mortal.

No Norte, Sansa Stark, que assumiu o controle da região na ausência do irmão Jon, prova que sabe e gosta de ter este poder, tomando diversas decisões importantes. A cena é cortada pelo reencontro de Sansa com Bran, seu irmão, a quem não via desde a primeira temporada e, agora, já aceitando seu destino como o oráculo “O Corvo dos Três Olhos”. Bran já com uma postura mais série e aparentemente desprovido de maiores emoções revela que ele sabe de tudo o que já aconteceu até ali com todos. É muito provável que Bran fora à Winterfell, exatamente para revelar a Jon que ele na verdade é um Targaryen-Stark, cujo verdadeiro nome é Aegon, informação que obteve em uma visão na qual retorna no tempo. Este fato leva ao que já citamos: Jon não só não é bastardo como é tão legítimo quanto sua tia Daenerys na eventual linha de sucessão da Casa Targaryen.

O episódio ainda mostra rapidamente Jorah curado por Sam de sua escamagris, Euron exigindo casar-se com Cersei, que promete aceitar, quando vencerem a guerra, Theon sendo mais uma vez resgatado e ridicularizado por sua covardia por seus conterrâneos das Ilhas de Ferro, Melisandre profetizando que tanto ela como Varys devem morrer em Westeros, Verme Sangrento sacando que foi fácil demais subjugar Casterly Rock, que deixou de ser prioridade para a coroa, que optou por usar toda a sua força para tomar High Garden mais rica em ouro, homens e suprimentos, essenciais para a guerra.

Game of Thrones com “A Justiça da Rainha” justificou o nome do episódio mostrando uma rainha que se vingou de seus inimigos (Cersei), outra que perdeu quase todos os seus aliados e uma terceira, que ainda que não tenha sido coroada, foi majestosa ao revelar em seus minutos finais que fora ela quem matou Joffrey, o sádico primogênito da relação incestuosa entre Cersei e o irmão e, agora sem deixar espaço para uma retaliação e, também sem perder a chance de jogar na cara de Jaime, que seu amor por Cersei será o seu fim.

Uma hora e três minutos de um episódio que trouxe tanta movimentação à trama que nos deixa mais ansiosos com o que ainda virá.