Contém Spoilers para quem ainda não viu o episódio final da sétima temporada.

Se você acompanhou o intenso e derradeiro episódio da sétima temporada de Game of Thrones deve ter ficado sem fôlego algumas vezes. Mesmo com tantos acontecimentos no capítulo anterior que pareceriam ter esvaziado a narrativa deste último episódio, a HBO conseguiu contar algumas coisas que já esperávamos com grande emoção.

01 – O herdeiro legítimo do trono de ferro

Finalmente alguém verbalizou o que já sabíamos: quem são os verdadeiros pais de Jon Snow! Fruto do romance entre Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen, Jon, que nasceu em Dorne, como bastardo, deveria ter sido chamado de Jon Sand e não Jon Snow, presumiu Bran, antes de que alertado por Sam que os pais de Jon foram legitimamente casados, o que pôde ver com seus próprios olhos, ao ter uma visão do passado. Ouvindo da boca de sua tia Lyanna, Bran descobre que Jon sempre foi o legítimo herdeiro do trono de Westeros, sendo o primeiro homem vivo na linha de sucessão do rei louco. Agora não é Jon, nem Snow, mas Aegon Targaryen Stark.

02 – Significado dos Títulos da temporada

Tanto o slogan oficial da sétima temporada “Winter is here”, como o título do episódio final “The Dragon and the Wolf” se mostraram muito assertivos. Afinal, os primeiros flocos de neve caíram sobre Porto Real, dando sinais de que o inverno finalmente chegou, assim como a grande guerra contra os zumbis gelados, que avançarão pelo norte.

Dragão e Lobo parecem ter ecoado no episódio algumas vezes: na metáfora gelo e fogo, vimos um dragão voltar dos mortos e vencer a grande muralha gelada. Também fomos ao passado pelas visões de Bran e vimos uma Stark se casando com um Targaryen, para revelar a origem de Jon Snow, um legítimo filho de “dragão e lobo”.

Além de tudo o gelo do norte finalmente encontrou o fogo dos dragões na já esperada cena de amor entre Jon e Daenerys, que na verdade são sobrinho e tia.

03 – A hesitação da rainha

Cersei continua ladina como sempre, mas como bem observado por Tyrion, a rainha está grávida e se tem algo que ela parece sempre ter amado mais que o poder são suas crias – todas arrancadas de si pelas tragédias que viveu.

A gravidez a fez por duas vezes hesitar, não matando Tyrion, a quem tanto odeia, em parte comovida por seu discurso que envolviam o amor que sempre teve pelos sobrinhos falecidos.

Um novo filho é mais do que alento a uma mãe que convive com o vazio de ter perdido seus filhos, mas a chance de propagar a família Lannister com um herdeiro legítimo e puro, já que é fruto do incestuoso caso que tem com o irmão.

Este, aliás, quase foi pro saco, ao desafiar a rainha e manter sua palavra de lutar com o exército do Norte na grande guerra que virá. Cersei não aceita ser abandonada, mas não teve coragem de dar a ordem para matar o único ser que ainda a ama. Porém o episódio deixou Jaime claramente decepcionado com a irmã, o que confirma o desgaste do relacionamento.

Cersei se curvará no futuro para os reis Targaryen a fim de proteger a cria? Tyrion convencerá Daenerys a ser misericordiosa, usando a gravidez da irmã como pano de fundo? Daenerys não pode ter filhos, já sabemos. Seria essa criança criada pela mãe dos dragões, possibilitando um rei Lannister no futuro?

Isso só vamos saber daqui a pelo menos, um ano.

04 – Um novo exército

Mesmo odiando Daenerys e Tyrion por ter criado um exército de selvagens estrangeiros, Cersei articulou com Euron, que espera a chance de casar com a rainha, usar da mesma tática. Financiada pelos vultosos cofres do Banco de Ferro, Cersei deu ordem a Euron que buscasse o maior exército de mercenários em Essos, continente a leste de Westeros, para defender Porto Real e seu reinado.

05- Theon recupera a coragem

Aproveitando a ausência do tio, Theon tenta articular o resgate da irmã Yara, supostamente presa em Porto Real.

E curiosamente não ter “bolas” o ajudou ao enfrentar a zombaria de um dos marujos de sua frota. Theon corajosamente, o enfrenta, mesmo parecendo que não teria qualquer chance. Já quase morto, levantou-se diversas vezes e quando foi atacado pelo golpe nas “partes baixas”, que obviamente não o machucou como esperado, viu a chance de recuperar o respeito dos homens que ainda tinham lealdade por Yara, sua irmã, que segue em poder do sádico tio Euron.

06 – Vão se os dedos…

Em uma série famosa por descartar personagens importantes, a morte mais relevante deste final de temporada foi do ardiloso Mindinho. Certo de que estava sendo bem sucedido ao colocar Sansa contra Arya e vice-versa, o maior influenciador de Westeros não contava em ele próprio estar sendo manipulado em um jogo armado pelas irmãs Stark.

Pelo acúmulo de traições para com a família soberana do Norte, ajoelhar, chorar e pedir perdão não resultou em nada e Arya executou a sentença dos traidores de Winterfell: cortou-lhe a garganta, algo que Mindinho ajudou anos atrás a que fosse vítima Ned Stark, o pai da garota.

07 – A Queda da Muralha

Em uma das cenas mais memoráveis da saga e, possivelmente, da história da TV, vimos a imensa e imponente muralha sucumbir ao poder de um dragão transformado. Somente uma criatura mágica poderia derrotar a muralha, cujo final era antevisto pelos livros e esperados pelos leitores, o que de modo algum subtrai a magnitude da cena. Muralha abaixo, mortos avançam para o Sul, prenunciando uma oitava temporada sombria.

Houve múltiplas teorias sobre como a Muralha acabaria por cair, principalmente por leitores das Crônicas de Gelo e Fogo de George R.R. Martin, que a reconheceu como uma barreira mítica, que exigiria um ato épico de destruição para derrubar. Embora não se esperava lá no começo da saga que fosse um dragão de gelo que o faria, foi uma das soluções mais interessantes da narrativa televisiva, já que diferente dos livros, a série de TV não construiu uma consistente linha mágica para os fundamentos da grande muralha, ou seja, era apenas uma barreira bem construída. Nos livros, após a primeira Longa Noite, quando os walkers foram derrotados pela primeira vez, um homem chamado Brandon the Builder, ergueu o muro com a ajuda dos Filhos da Floretas e gigantes. Não só foi feito para ser alta, mas protegida pela feitiçaria antiga, o que depois de centenas de anos, foi passado de geração em geração apenas com uma lenda. A série até faz referência a isso quando Benjen Stark disse a Bran e Meera que a muralha era mágica e que os mortos não podiam passar, mas, enfim, tudo acabou agora.

Então, se Viserion teve a habilidade de destruir a muralha, o escudo poderoso que protegeu Westeros por milhares de anos como se fosse papel, como exatamente nossos heróis o combaterão na batalha final por vir?

Nós temos pelo menos um ano para especular. O inverno está aqui, mas a temporada 8 está longe.

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