Bom, acho que todo mundo tem que concordar que um apocalipse zumbi não é exatamente uma situação simples e muito menos fácil de se lidar e, Fear the Walking Dead, a série derivada do hit The Walking Dead da AMC tem conseguido explorar as profundas transformações que as pessoas estão enfrentando neste período de transição entre o mundo antigo e a nova realidade.

Apesar das críticas  – principalmente, daqueles que consomem séries apenas como entretenimento – sobretudo quanto à narrativa da série, que foge do estereótipo das séries de horror e ficção científica, e prefere desenvolver os dramas dos personagens de forma mais lenta, construindo a cada nova experiência, o modo de agir e reagir aos horrores e mazelas do fim da civilização moderna, Fear the Walking Dead tem, a cada episódio, consolidado uma narrativa mais consistente e buscando sua própria identidade e mitologia.

Diferente da série mãe, na qual as pessoas já convivem com o fim do mundo há alguns anos e por isso estão mais do que preparados para as intempéries, Fear se passa exatamente no momento em que a epidemia surge e com as pessoas ainda atordoadas e aprendendo a lidar com a nova realidade.

Neste momento de transformação e adaptação, vários aspectos estão sendo abordados:

As difíceis e contraditórias decisões cruéis que precisam ser tomadas a todo o tempo e que consistem em proteger a si e aos seus a qualquer preço; aprendendo da pior maneira a sufocar a empatia e a decidir sobre quem vive ou morre, quem merece ou não ser salvo. Hoje, o grupo liderado por Rick (Andrew Lincoln), na série principal, está calejado de saber que o maior inimigo atual são os vivos e não os zumbis, que são lentos e facilmente aniquiláveis por quem já aprendeu a manejar uma faca ou armas. Em Fear, por inexperiência, o grupo liderado por Travis (Cliff Curtis) e Maddison ( Kim Dickens), quase teve seu fim antecipado por confiar em gente, cujo objetivo era cobiçar o iate no qual estão refugiados, pertences e mantimentos. Por outro lado, em um momento em que desconfiaram demais, acabaram criando uma nova inimiga, que poderia ter sido uma adição importante para o grupo.

FTWD

A série também se esmera ao mostrar como todo o desgaste do traumático processo de sobreviver atinge as pessoas de formas diferentes. Enquanto em alguns aflora seu lado mais cruel, outros se fragilizam e, ainda há os que melhoram substancialmente, como é o caso de Nick (Frank Dillane), o garoto viciado, que pareceria ser o personagem “pé-no-saco” da série e que vem surpreendendo em atitudes destemidas sempre para defender os interesses do grupo, enquanto Chris (Lorenzo James Henrie), que parecia muito mais ajuizado, a cada episódio flerta com a insanidade.

FTWD Chris e Nick

Misticismo e religiosidade também são sacadas geniais da série que, agora, ambientada no México e cheia de representantes latinos, não poderia ignorar uma das facetas mais comuns entre nossos hermanos. Transitando entre o intangível e o fanatismo, os novos personagens trouxeram para a série, um clima de mistério e suspense adicional. O que dizer de toda a sabedoria espiritualizada (e sinistra) de Celia (Marlene Forte), a governanta da propriedade para a qual Strand (Colman Domingo) levou o grupo principal? Ela sabe de algo? Ela sente algo? Ou é apenas carolice desesperada de uma mente em colapso?

FTWD Celia e Daniel

O fato é que a série cresce a cada nova descoberta e daqui a algum tempo, estarão tão ou melhor preparados do que a galera de Alexandria para sobreviver neste mundo doente.

A segunda temporada de Fear the Walking está em exibição pela AMC Brasil, aos domingos, às 22h.

Confira o trailer:

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