Once Upon a Time

De volta com sua aguardada quarta temporada, a série hit da ABC, exibida no Brasil pela Sony,arrematou quase seis milhões de expectadores na faixa de 18 a 49 anos (a mais importante na medição de audiência americana) contra a exibição de uma partida da idolatrada NFL exibida pela concorrente, além de ter apresentado o dobro de audiência de outra estreia da noite de 30 de Setembro, Madam Secretary (CBS), inspirada na vida de Hilary Clinton.

E um sucesso assim tem seus méritos.

Ok, Once Upon a Time tem como mote principal os contos de fadas, logo teoricamente poderia ser taxada como um programa para crianças, certo? Talvez.

O fato é que os brilhantes roteiristas Adam Horowitz e Edward Kitsis conseguiram criar um universo tão especialmente articulado, tão próprio, que todas as conexões propostas resultaram em um quebra-cabeça engenhoso e atraente, que vem seduzindo fãs de todas as idades.

Além disso, é importante ressaltar que desde que encaramos um Peter Pan psicopata, digno de filmes de terror, que foi capaz de transformar os meninos perdidos em uma gangue perigosa e fez de Capitão Gancho o herói mais desejado para par romântico da protagonista, definitivamente Once Upon a Time deixou de ser tema meramente infantil.

Entendo que há quem não goste, mas imagino que boa parte dessas pessoas não se deu ao trabalho de ver meia dúzia de episódios, deste que já é um dos maiores sucessos da ABC.

A premissa da série é até bem simples: todos os personagens dos mais variados contos de fadas – e até de histórias clássicas da literatura (a mitologia vai de Branca de Neve a Frankenstein) – existem e habitam universos paralelos ao nosso.

É em um destes universos, a Floresta Encantada, que a trama começa a se desenrolar. Tudo poderia seguir pelo caminho da obviedade, já que todo mundo conhece a historia da Branca de Neve, os sete anões, a rainha má, o espelho mágico e o príncipe encantado. E se você soubesse que eles também conheceram e conviveram com a rainha de copas, Robin Hood, o terrível Rumpletilstiskin, Mulan, o rei Midas, Ariel e tantos outros?

Bom, é neste momento que os roteiristas mostram toda sua habilidade, expandindo a narrativa e nos brindando com alguns detalhes que os contos que lemos não deram foco. A cada flashback, a história de um personagem esmiúça as motivações para ser quem são e as explicações de os porquês de merecerem ou não o rótulo de vilão ou herói. A medida que o espectador se aprofunda, descobre que nada – melhor dizendo, ninguém – é (só) o que parece.

A Rainha Má, brilhantemente interpretada pela estonteante atriz Lana Parilla (que rouba completamente a cena), por exemplo, não foi sempre rancorosa e maligna, mas se tornou o que é devido a uma trágica perda. E Branca de Neve está longe de ser a mocinha submissa em busca de um beijo que a salve. Ela, por exemplo, é a responsável pelo destino da rainha de Copas (do clássico Alice no País das Maravilhas).

E o que dizer ao saber que o Príncipe Encantado na verdade nunca foi da realeza? Mas é apenas um lavrador que, por sua semelhança com o príncipe morto, foi forçado a tomar seu lugar naquela posição, devido a algumas situações propostas pelo roteiro?

Que tal saber que a Bela descobriu o amor nos braços de uma fera ainda pior: um feiticeiro dos mais malvados e não de mais um príncipe?

Voltando à Rainha Má, para impedir que a enteada seja feliz, ela lança uma maldição sobre todo o reino que transporta todos os personagens para a pequena e bucólica cidade de Storybrooke (trocadilho em inglês para “história quebrada”). Lá, nos dias atuais, todos os personagens adquirem uma vida comum, esquecidos completamente de quem um dia foram. Assim, a rainha se torna a prefeita, Branca de Neve, uma professorinha de escola, Chapeuzinho, uma sexy atendente de lanchonete (que, pasmem! Esconde um segredo nas noites de lua cheia).

O problema é que toda essa historia está registrada em um livro muito especial que acaba parando nas mãos de um garotinho, Henry, que viria a ser adotado pela rainha (agora prefeita), cuja missão é tentar fazer com que todos se lembrem de suas verdadeiras origens.

A produção é requintada, os diálogos são muito bem escritos, as atuações são todas convincentes, além de um cuidado muito especial tanto nos seus figurinos, como na construção de uma cidade cenográfica impecável apenas para rodar a trama.

Outros dois pontos que funcionam muito bem em Once Upon a Time são as locações espetaculares, cujas paisagens são de encher os olhos, seja na Floresta Encantada, seja na bela cidade de Storybroke, com seu eterno ar de inverno e sua bonita região portuária e os bem executados efeitos especiais, que ajudam a manter o clima de magia no ar.

Se você pretende acompanhar, vá anotando as inimagináveis conexões entre os célebres personagens. Assim, Once Upon a Time, é na verdade, um conto completamente novo e com seu charme próprio.

Confira o trailer:

https://www.youtube.com/watch?v=Yku9Y2Vnlj4

  • http://meudiariopiccolo.wordpress.com aylapupo

    Adorei a matéria !!! Realmente acredito que muita gente que diz não gostar do seriado simplesmente nunca deu uma real chance a ele e nunca viu mais que alguns minutos de cena. É um dos meus seriados preferidos, embora esteja cheio de defeitos e buracos na história.