Baseada na obra de Philip K. Dicks, Eletric Dreams do Channel 4 britânico apresentou logo no seu primeiro episódio elementos que enchem de alegria qualquer fã de ficção científica: futuro distópico, fragmentação social forçada por elemento ficcional e ambientação futurística paradoxal.

Intitulado “O fazedor de capuzes”, na trama de estreia, temos a oportunidade de rever o ator Richard Madden, famoso por viver Robb Stark em Game of Thrones, agora em um cativante papel urbano. Na trama, num mundo futurístico em que a era da informação colapsou, ou seja, não há internet ou mesmo computadores, a população marcha em protesto contra os teeps, telepatas mutantes que podem acessar seus pensamentos. Para as pessoas comuns, os teeps parecem estar abusando do seu poder e planejando assumir o controle da sociedade. Curiosamente, esses mutantes já são renegados pela sociedade e vivem em guetos, numa metáfora que os aproximam aos imigrantes que invadem a Europa dos dias de hoje.

Nestes tempos de maior tensão e agitação, para prever comportamentos terroristas, a polícia está usando teeps para ler as mentes dos normais, que, sem surpresa, não estão mais satisfeitos em ter invadido a privacidade de seus pensamentos.

Honor (Holliday Grainger), a protagonista, é uma teep que, aparentemente, se demonstra feliz em ajudar a polícia e, mesmo sofrendo preconceito de todos os colegas, se junta ao agente Ross (Richard Madden), como sua parceira. Ross, ao contrário dos demais policiais, tem uma postura acolhedora, que conquista rapidamente a confiança e os sentimentos da garota, que é proibida de “ler” a mente dele, assim como de qualquer agente policial. E, ao mesmo passo que se apaixona pelo policial, Honor é assediada pelos seus irmãos teeps a se aliar pelo bem de seu próprio povo.

Enquanto os dois se aproximam, uma investigação aponta que um misterioso artesão criou um capuz que combinando uma malha de linho tratada e uma solução química, impede a leitura de mentes, como se fosse um firewall.

E é na busca do criminoso que as surpresas se desenrolam. Neste episódio, é difícil não simpatizar com o casal formado pelo romance proibido entre a mutante e o policial, mas prepare-se para descobrir que nem tudo é o que parece, quando as intenções de alguns personagens se revelarão de forma surpreendente.

Como debut, Eletric Dreams em “O fazedor de capuzes” entrega um resultado bom, mas como cada episódio conta uma história independente e com fim, haverá certamente um desejo de querer mais dessa história contada em pouco mais de 50 minutos. O episódio traz a tona questionamentos que não se atém apenas a dilemas ligados a vigilância estatal, preconceito, liberdades civis e direitos humanos, mas também sobre tecnologia, poder e conhecimento, confiança, democracia e até evolução (ou involução) da humanidade. É uma visão sombria e sufocante que carrega uma beleza toda particular.

A trama pode, em algum momento, lembrar Black Mirror, outro sucesso do sci-fi britânico, mas não é, porém só a comparação já vale como uma boa recomendação.

No total serão 10 adaptações de histórias de Philip K. Dick no canal, todas no âmbito da ficção científica e alocadas em futuros distópicos.

Confira o trailer da série: